Wesley Safadão doa cachê de show para Caruaru mesmo após cancelamento de pagamento

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Wesley Safadão para seu show em Caruaru para falar sobre destino do cachê de seu show

Em mais um capítulo do pagamento ou não do show de Wesley Safadão, que ocorreu no sábado (26-jun) durante o São João 2016 do município. A Prefeitura de Caruaru anulou na segunda-feira (27) o pagamento do cachê de R$ 575 mil do cantor.

Durante a apresentação, o cantor afirmou que iria doar o dinheiro para instituições de caridade do município. A decisão dele ocorreu após questionamentos sobre o valor pago ao artista, que chegou a ter a apresentação suspensa por decisão judicial.

A Fundação de Cultura de Caruaru informou que o empenho do pagamento foi cancelado e que os patrocinadores do artista deverão arcar com o cachê do artista.

Já a assessoria de Safadão disse que irá receber o valor e que os R$ 575 mil não serão pagos pela prefeitura, mas pelos patrocinadores do cantor. A decisão de doar o dinheiro permanece, conforme anunciado por Wesley durante o show.

 




Entenda o caso
O valor de R$ 575 mil seria 85% maior do pago pela prefeitura pelo mesmo artista na festa junina de 2015. O valor também é bem superior à que o cantor de forró receberá para cantar no São João de Campina Grande, na Paraíba: R$ 295 mil, sendo R$ 195 mil da prefeitura e R$ 100 mil de um patrocinador.

Em nota, a prefeitura de Caruaru diz que o cachê é compatível com o valor de mercado no artista e informa que outras cidades, como Patos (PB), pagaram cachê semelhante.

Além dos R$ 575 mil destinados ao cantor, a prefeitura de Caruaru gastará outros R$ 3,5 milhões com a contratação de artistas para o São João.

Wesley Safadão fala com o público sobre a doação de seu cachê

EMERGÊNCIA
Os gastos contrastam com a situação financeira e social do município, comandado pelo prefeito José Queiroz (PDT). Enfrentando os efeitos da estiagem, Caruaru teve situação emergência decretada pelo Ministério da Integração Nacional em maio.

A cidade de 347 mil habitantes vive uma situação de insegurança hídrica: na maioria dos bairros, os moradores recebem água por quatro dias e ficam outros oito sem abastecimento, em sistema de rodízio.

A prefeitura também vive um cenário de crise financeira. Entre janeiro e abril deste ano, a arrecadação do município foi de 187,9 milhões, uma queda de 8%
comparado ao mesmo período do ano passado, em valores corrigidos pela inflação. O gasto com pessoal está em 55,4% da receita, acima dos limite previsto pela
Lei de Responsabilidade Fiscal.

Os gastos com cachês dos artistas foram questionados pelo Ministério Público Federal, pelo Ministério Público do Estado de Pernambuco e pelo Ministério Público de Contas.

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