Em 30 anos, grupo teatral inova em peças e ‘leva’ Campinas a 27 países

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Em 30 anos, grupo de Campinas já se apresentou em 27 países

 

Se o coletivo de teatro Lume fosse uma pessoa, teria atingido neste ano a maturidade da fase adulta, após uma infância difícil e adolescência intensa, de crescimento e movimentação. O Lume seria alguém que, apesar dos anos, manteria a característica de sempre buscar desenvolver-se.

Em 30 anos, completados em 2015, o grupo de Campinas (SP) já se apresentou em 27 países, conviveu com o renascimento após a perda do mestre e criou peças inovadoras, como a gigantesca Perch.

O aniversário foi comemorado ao modo do coletivo, em um evento inovador que durou 30 horas. Foram apresentadas sete peças no sábado (11) e 20 no domingo (12), todas com entrada gratuita e sem intervalo. O palco foi a sede do Lume, em Barão Geraldo. As interpretações vararam a noite.

Infância
Atualmente, a companhia conta com sete artistas, mas até os primeiros nove anos apenas três atores integravam a iniciativa. Um dos fundadores, o curitibano Carlos Simioni, conta que o idealizador do projeto, o ator Luís Otávio Burnier, pensou no Lume como um grupo de estudos que deveria partir do novo, sem absorver teorias de interpretação.

“Aí os dois loucos mergulharam para encontrar um trabalho de ator que fosse inusitado e genuinamente brasileiro”, lembrou.
O grupo foi fundado em 1985, após Burnier ser convidado para dar aulas na Unicamp, em Campinas. Ele aceitou, com a garantia de que teria aval para criar um grupo de estudos para atores. Simioni, que conheceu o mestre um ano antes em Curitiba e pediu para participar do projeto, também se mudou para a cidade. Estava criado o Lume Teatro.

O terceiro integrante, Ricardo Puccetti, chegou três anos depois e introduziu a pesquisa na arte do palhaço. “Nos primeiros dez anos, fizemos duas apresentações, mas estudamos e nos desenvolvemos muito”, conta Simioni. A primeira peça do coletivo foi “Kelbilim, o Cão da Divindade”, de 1988, dirigida por Burnier e interpretada por Simioni.