Microcelular de 6 centímetros invade prisões no estado de São Paulo

Microcelular de 6 centímetros invade prisões no estado de São Paulo
Comparação de tamanho do celular de plástico para um iPhone 6, uma tampa de caneta Bic e um palito de fósforo

Todo o sistema penitenciário do estado de São Paulo está em alerta devido à invasão, dos microcelulares. Os aparelhos que tem em média cerca de 6 centímetros de altura (semelhantes a um controle remoto de portão automático) e leves como uma caneta, o número de apreensões dos diversos tipos de celular em presídios paulistas dá a dimensão de como se trata de um produto cobiçado.

Por ter boa parte de sua estrutura de plástico, isso acabada deixando o aparelho imune aos detectores de metais existentes nas prisões. O governo decidiu alertar as penitenciárias para buscar estratégias contra a invasão desses aparelhos após a apreensão de dezenas de unidades nos últimos dois meses.

O uso de celulares nos presídios é um dos principais instrumentos de articulação de facções criminosas para controlar seus integrantes e manter a influência fora da cadeia como ocorreu em 2006, quando o PCC (Primeiro Comando da Capital) comandou no estado a maior onda de violência nas ruas de dentro das penitenciárias.

Somente no primeiro semestre deste ano, foram mais de 7.300 aparelhos apreendidos por agentes nas mais de 160 unidades prisionais de São Paulo (incluindo unidades do regime fechado e semiaberto de ambos os sexos). A importância que os presos dão ao “produto” motiva estratégias tanto para burlar a fiscalização (caso dos microcelulares) como para corrompê-la.

Funcionários e prestadores de serviço são submetidos a revistas manuais para entrar nas penitenciárias. Mas, pelo regimento interno, isso não é permitido com advogados a trabalho. Dessa forma, a única checagem desse profissional é pelo detector de metal. Embora, em geral, os advogados não tenham acesso direto ao preso (ambos são separados por vidro ou telas), todo preso atendido por seu defensor deve ser revistado.

BLOQUEADORES
Outra estratégia discutida há mais de 10 anos é o bloqueio do sinal de celular próximo aos presídios. A implantação de bloqueadores de celulares foi prometida pelo governo, mas isso não aconteceu. Ainda não foi possível desenvolver um sistema de bloqueio que não prejudicasse moradores de bairros próximos aos presídios.

Em 2011, por exemplo, segundo interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal, presos da Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, interior de SP, ficaram mais de nove horas e meia em ligação de forma ininterrupta.