Polícia Federal calcula que desvio na Petrobras pode chegar a R$ 42,8 bilhões

Polícia Federal calcula que desvio na Petrobras pode chegar a R$ 42,8 bilhões
Estatal calculou em abril que desvios chegariam a R$ 6,2 bilhões

A Polícia Federal calculou que o rombo que a corrupção de funcionários do alto escalão da estatal e políticos causou na Petrobras em um período de dez anos (de 2004 a 2014), foi de R$ 42,8 bilhões. O número é quase sete vezes maior do que os R$ 6,2 bilhões que a estatal calculou, em abril, ter perdido com os crimes.

O Ministério Público Federal (MPF) considerou, em outubro deste ano, que o prejuízo passaria de R$ 20 bilhões. “O que nós temos hoje é que apenas a propina da Petrobras envolveu mais de R$ 6,2 bilhões (…) Isso aponta que possivelmente o valor do prejuízo superará R$ 20 bilhões“, chegou a afirmar o procurador da República Deltan Dallagnol, que é coordenador da força-tarefa do MPF para a Lava Jato.

A PF mostrou o dado em um inquérito sobre a empreiteira Odebrecht. Foram considerados todos os contratos da última década entre a Petrobras e as 27 construtoras que atuaram em obras do cartel que fraudava as licitações.

O panorama é o pior possível porque considera propina em todos os contratos (o que não é comprovado e é negado pelas partes envolvidas) e que em todos a Petrobras gastou 20% a mais do que a estimativa inicial da obra, o teto permitido na estatal.

O ex-gerente Pedro Barusco entregou no ano passado, em delação, uma planilha com 87 obras da Petrobras e seus respectivos “acertos”, mas estima que só 20% delas acabaram gerando propina. Em especial, os contratos envolvendo obras para implantação da Refinaria Abreu e Lima (RNEST) e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (COMPERJ).

Prejuízo
A Petrobras fechou o terceiro trimestre com prejuízo de R$ 3,76 bilhões. Entre as justificativas para o resultado está a alta recente do dólar. No mesmo período de 2014, o prejuízo foi de R$ 5,34 bilhões.