Onça pintada morre após ser exibida em passagem da Tocha Olímpica no Centro do Exército em Manaus

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Onça Juma durante passagem da Tocha Olímpica no Centro de Treinamento do Exército em Manaus

A passagem da Tocha Olímpica por Manaus na segunda-feira (20-jun) causou a morte de uma onça mantida pelo exercito no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS).  O animal foi utilizado para exibição no evento e gerou muitos questionamentos sobre a manutenção de animais selvagens em centros do Exército na Amazônia.

A morte da onça conhecida como Juma, causou comoção e protestos em todo o país, principalmente em manifestações pelas redes sociais. O Comando Militar da Amazônia, responsável pelo animal, alegou que Juma havia escapado já dentro do zoológico onde era mantida.

Uma equipe de veterinários especializados no cuidado da onça foi ao seu encontro para resgatá-la. Seguindo o uso progressivo dos meios de captura, foram utilizados tranquilizantes no animal, e mesmo sedado, investiu contra um militar que estava no local. Como procedimento de segurança, o próprio agente realizou um disparo de pistola para contê-la”, diz o Exército, em nota.




Segundo o Ipaam (Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas), apenas um dos animais, Simba, uma onça macho, tinha autorização para ser exibida no evento e que medidas cabíveis serão adotadas sobre o caso. Os dois animais participaram da cerimônia.

O superintendente do Ibama no Amazonas, Mário Reis, lamentou o ocorrido e informou que o instituto vai auxiliar o Exército a analisar se houve negligência na exposição do animal.

O órgão, porém, confirmou que a onça era cuidada de acordo com as normativas. O Comando Militar fez questão de afirmar que Juma era um animal dócil e habituado à convivência com pessoas no interior do quartel. “Cabe esclarecer que as unidades do Exército Brasileiro acolhem e tratam somente animais que se encontram em situação de vulnerabilidade e necessitam de cuidados veterinários. Após o tratamento, muitos desses animais não apresentam condições de retorno ao seu habitat natural e permanecem aos cuidados do Exército”, explicou.

A informação foi confirmada pelo Ipaam. Em nota, o Comitê Rio 2016 lamentou o ocorrido. “Erramos ao permitir que a tocha olímpica fosse exibida ao lado de um animal selvagem acorrentado. Garantimos que não veremos mais situações assim”.

O Exército Brasileiro mantém várias onças em cativeiro na Amazônia, os animais, assim como outras espécimes, costumam ser adotados pelo órgão ao serem encontrados em cativeiro, ou em poder de caçadores e contrabandistas de bichos silvestres. Felinos, como a própria Juma, acabam se tornando mascotes dos batalhões e passam por sessões de treinamento, sendo frequentemente exibidos em desfiles militares em Manaus.

Indomesticável
Para João Paulo Castro, biólogo com mestrado em comportamento animal pela Universidade de Brasília, Juma pode ter fugido após se estressar durante o evento. “Não é saudável nem recomendável submeter um animal a uma situação como essas, com barulho e muitas pessoas em volta, muitas vezes a onça já vive numa situação estressante no cativeiro, o que é agravado num cenário de agitação“, disse Castro.

Segundo Castro, é um erro tratar onças como animais domesticáveis. Ele afirma que são necessárias várias gerações em cativeiro para que uma espécie se acostume a conviver com humanos.

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Onça Juma é exibida durante passagem da Tocha Olímpica no Centro de Instrução do Exército