Donos da JBS gravam Michel Temer dando aval à compra do silêncio de Eduardo Cunha; após revelação Câmara tem pedido de impeachment

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Câmara começa a receber pedidos de impeachment para Michel Temer

O proprietário JBS Alimentos, Joesley Batista, afirmou à Procuradoria-Geral da República que o presidente Michel Temer (PMDB) deu seu aval à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha e do operador Lúcio Funaro, ambos presos na Operação Lava Jato em Curitiba. A informação foi divulgada pelo jornal “O Globo” na noite desta quarta-feira (17 de maio)




As informações fazem parte de uma delação de Joesley que ainda não foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal. O depoimento de Joesley foi dado em abril e, no dia 10 de maio, o conteúdo foi comunicado ao ministro do Supremo Edson Fachin, relator da Lava Jato na Corte.

A conversa entre Joesley e Temer teria acontecido no dia 7 de março no Palácio do Planalto. O empresário teria gravado a conversa com um gravador escondido, Joesley disse a Temer que estava pagando a Cunha e Funaro para ficarem calados. O presidente, segundo o empresário, responde: “Tem que manter isso, viu?” A Polícia Federal registrou ao menos uma entrega de R$ 400 mil em dinheiro para Roberta, irmã de Lúcio Funaro.

Já o dinheiro para Cunha seria entregue a Altair Alves Pinto. Altair já foi apontado pelo operador Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, como o responsável por receber as propinas destinadas ao ex-deputado.

Cunha teria agido a favor da J&F em projetos de lei e no fundo FI-FGTS, que investiu mais de R$ 1 bilhão em empresas do grupo. O empresário disse ter pago ao menos R$ 5 milhões a Cunha depois de sua prisão, e ainda devia mais R$ 20 milhões relativos à tramitação de uma lei que previa a desoneração de impostos no setor de frango.

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Primeiro pedido de impeachment com base em caso JBS é protocolado contra Temer




Deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ) foi o primeiro a protocolar um pedido de impeachment baseado na gravação em que o presidente Michel Temer teria apoiado o pagamento de uma mesada a Eduardo Cunha para que ele se mantivesse “em silêncio” sobre casos de corrupção envolvendo o governo.

O pedido se baseia no artigo nono da Lei 1079, que trata sobre crimes contra a probidade da administração. O pedido de impeachment ainda precisa ser analisado pelo presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia (PMDB-RJ), aliado político de Temer.