Violência contra a mulher-ONG de Campinas cria site de apoio e grupo cria aplicativo contra violência sexual

protecao-mulheres-vitimas-de-violenciaA ONG (Organização Não Governamental) “Rede Minha Campinas”, um grupo de interesse comum criado na cidade para tomadas de decisão de interesse público lançou o site “Mapa do Acolhimento” com o objetivo de conectar vítimas de violência sexual a atendimentos especializados de terapeutas e psicólogos. Segundo a entidade, uma grande dificuldade que as vítimas enfrentam é a falta de acesso e de informação sobre estes serviços.

Psicólogas e psiquiatras farão o acompanhamento gratuito para pacientes, assim como mulheres que não são da área, mas que queiram ajudar o mapeamento. Até o final do mês de junho, o site será aberto para as vítimas que buscam pelo atendimento.

Dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo aponta que os casos de violência sexual cresceram mais de 20% na RMC (Região Metropolitana de Campinas), passando de 187 registros de janeiro a abril de 2015 para 226 no mesmo período de 2016. Apesar dos números serem altos, sabe-se que a estatística é bem maior que a registrada, já que muitas vítimas deixam de fazer boletim de ocorrência por medo e vergonha.

Na avaliação da socióloga e coordenadora da Rede Minha Campinas, Cláudia Oliveira, o acolhimento oferecido à vítima é escasso e nem sempre adequado. “Foi por isso que decidimos criar um cadastro para fazer a ponte entre profissionais dispostos a ajudar essas vítimas. A ideia é fazer um mapa de voluntários”, explica Cláudia.

Acessar o site “Mapa do Acolhimento”

Como vai funcionar?
O “Mapa do Acolhimento” vai funcionar em três etapas. A primeira, que está em andamento e segue até o final deste mês, vai registrar cadastro de profissionais interessados em oferecer ajuda. Para se cadastrar basta acessar o site: Mapa do Acolhimento.

Em julho o site vai abrir inscrições para vítimas que queiram receber atendimento. Logo em seguida, na terceira fase, haverá a troca de contatos entre profissionais e vítimas para que o atendimento entre em prática. “Vamos passar uma lista de profissionais para a vítima e ela vai poder escolher com quem quer buscar atendimento. Tudo ocorrerá de forma sigilosa e vamos checar os registros de todos os profissionais”, afirma Claudia.

Todas as profissionais que se cadastrarem no site passarão por uma triagem da equipe para avaliação das referências junto aos conselhos regionais. Além disso, as pacientes terão liberdade para escolher as especialistas que melhor se encaixarem em seu perfil, assim como poderão ter uma conversa prévia, antes de resolver se o atendimento dará prosseguimento.

O acolhimento oferecido à vítima é escasso e nem sempre o mais adequado. Muitas vezes as mulheres acabam sofrendo sozinhas e silenciadas, sem espaços seguros que acolham a mulher. É por isso que a Rede Minha Campinas se juntou para conectar quem pode dar assistência profissional com quem precisa de ajuda”, finaliza Claudia Oliveira.

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Aplicativo de segurança desenvolvido para auxiliar as mulheres em situação de emergência

Novo aplicativo de segurança:
Na tentativa de evitar este e outros tipos de agressões contra as mulheres, jovens de uma comunidade startup de Campinas composta por estudantes e ex-alunos da PUC e da Unicamp desenvolveram o aplicativo gratuito Nearbee que fornece ajuda rápida com apenas um clique.

O aplicativo pode ajudar a evitar casos de violência sexual, já que com um clique é possível conectar pessoas próximas e autoridades, além de transmitir a posição exata e áudio e assim, pedir socorro rápido em uma situação de emergência.

De acordo com Felipe Fontes, presidente do Nearbee, ao perceber algo estranho é só a vítima clicar no ícone vermelho do programa. “No caso uma mulher perceber que está sendo seguida, basta um único clique, e o aplicativo avisa todos que estiver usando o serviço em um raio de 3 km e autoridades em cidades conectadas. Já estamos avançando com as secretarias de segurança, porém, qualquer um dos contatados pode alertar as autoridades. Com um clique no ícone vermelho, sua posição e áudio já começam a ser transmitidos“, afirma. Felipe.

Ainda segundo Felipe, o uso do aplicativo é mais rápido do que chamar a polícia. “A média de uma viatura é de 19 minutos, sendo que uma ligação para polícia pode levar mais três minutos, e precisa passar endereço preciso. O aplicativo faz isso instantaneamente, e ajuda na captura de provas“, explica o desenvolvedor.

O programa pode ser baixado por qualquer usuário no Google Play ou na Apple Store. Durante as Olimpíadas, o aplicativo será utilizado por uma empresa para monitorar executivos globais, além de juízes e até uma equipe de jornalistas para evitar crimes.