Greve de caminhoneiros deixa 90% dos postos de combustíveis de Campinas sem produtos

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Greve dos caminhoneiros paralisa locomoção de carros e ônibus em cidades de todo o país

Depois de um dia marcado por longas filas e até tumultos entre clientes, praticamente não há mais combustível nos postos de Campinas e todas as demais cidades da região metropolitana. A “pane-seca” é consequência do quinto dia (inicio em 21/5) da paralisação nacional promovida pelos caminhoneiros. A falta de combustível provocou um efeito em cadeia com reflexos em diferentes setores e a cidade já amanheceu com postos fechados e longas filas nos estabelecimentos em que ainda havia alguma reserva nas bombas.



No início da tarde de sexta, 90% dos postos já estavam com suas reservas zeradas, de acordo com o Recap, sindicato que representa 1.400 postos, em 90 cidades da região de Campinas (RMC). Foram registrados tumultos por pessoas que teriam tentado furar as filas formadas por quem esperava para abastecer e casos de cobrança abusiva no preço da gasolina, com o litro por até R$ 5,99.

Também desde o início da tardede quinta-feira, a frota de ônibus coletivo de Campinas passou a circular de forma ainda mais reduzida, com 50% de seus veículos, segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros da Região Metropolitana de Campinas, a atitude inicial era manter 60% da frota em circulação. A medida foi tomada na tentativa de manter o atendimento à população nos horários de pico até hoje, com o cenário de falta de combustível.

Na rodovia Santos Dumont, a manifestação foi realizada no km 48, em Indaiatuba, no sentido Campinas. Já na Anhanguera, houve paralisação no km 105, próximo ao Trevo da Bosch e no km 148, em Limeira, tanto sentido capital quanto interior. Na Campinas–Monte Mor, no km11+500, sentido Capivari, em Hortolândia, um grupo de cerca de manifestantes atearam fogo em pneus. A pista foi liberada pela polícia. Durante todo o dia, os caminhoneiros também se mantiveram em frente à Replan em Paulínia, impedindo a entrada e saída de caminhões.



Uso de força policial e exército neste sábado
Os caminhoneiros que ainda mantêm bloqueios nas rodovias deverão ser obrigados a recuar nas próximas horas. O ministro Alexandre de Moraes, do STF, autorizou o uso da força para liberar as estradas. As Forças Armadas foram autorizadas pelo governo a desobstruir as vias. Integrantes do Exército, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional e Polícia Militar poderão, inclusive, entrar nos caminhões para retirá-los da pista.

Nota da prefeitura de Campinas
Em decorrência da crise de abastecimento e buscando resguardar serviços que são plenamente essenciais, como coleta de lixo, transporte público, ambulâncias, entre outros, e para evitar o colapso de atendimento em áreas imprescindíveis para a população, o prefeito Jonas Donizette baixou na quinta-feira (24), Decreto de Situação de Emergência, válido neste momento e também no período necessário após o fim da paralisação, durante a normalização do atendimento.

Aeroporto Viracopos
Passageiros que passaram pelo Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas na manhã deste sábado (26) relataram tranquilidade, porém, quem tem destino aeroportos com falta de combustível precisam de alternativas de rotas. Viracopos recebeu quatro carretas com combustíveis no final da noite de sexta-feira, o que representa autonomia até 12h deste sábado. Há previsão de outros caminhões chegarem, o que pode aumentar a capacidade de armazenamento para mais oito horas.



Situação de emergência
Onze cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) já decretaram situação de emergência devido à falta de combustíveis nos municípios. Além de Campinas, Americana , Artur Nogueira, Cosmópolis, Indaiatuba, Itatiba, Monte Mor, Nova Odessa, Santa Bárbara d´Oeste, Sumaré e Vinhedo baixaram a medida para que as empresas que produzam, distribuam e comercializam combustíveis garantam prioridade de abastecimento para os serviços públicos essenciais.

Procon realiza fiscalização em postos
Em razão da corrida aos postos de combustível durante toda o dia de ontem, o Procon de Campinas realizou a fiscalização em 24 estabelecimentos. De acordo com o órgão, em 20 deles foram emitidos autos de constatação e para quatro notificações para apresentação de documentos, mas não houve a emissão de advertências ou multas. Segundo informações da entidade, de acordo com o procedimento, para isso é necessário anteriormente fazer a análise dos documentos. Os fiscais recolheram as notas de compra do último lote de combustível nos 20 estabelecimentos. Os documentos serão comparados para averiguar se houve abusos nos preços.

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