Prefeito de Paulínia, Dixon Carvalho é afastado do cargo e cidade poderá ter eleições em 90 dias

Paulínia detém o record de troca de prefeitos no Brasil, foram 14 nos últimos nove anos

Mais um capítulo da alternância de prefeitos em Paulínia; em um despacho de três parágrafos, o juiz Carlos Eduardo Mendes, da 323ª Zona Eleitoral, declarou vago o cargo de prefeito de Paulínia na quarta-feira (7-nov) e assim, o atual prefeito do município, Dixon Carvalho (PP) acabou destituído do cargo após 22 meses depois de sua eleição. Dixon foi condenado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em processo que apurou uso irregular de recursos na campanha de 2016.



O atual presidente da Câmara Municipal, Du Cazellato (PSDB), assumiu no mesmo dia o cargo de prefeito, já que o vice de Dixon, Sandro Caprino (PRB) também teve o mandato cassado pela justiça por crime eleitoral. A Justiça Eleitoral vai realizar em um prazo de 90 dias uma nova eleição em Paulínia. Rara na maioria das cidades brasileiras, a troca de prefeitos se transformou numa dramática rotina em Paulínia vivida e acompanhada de perto por seus 100 mil habitantes.

De 2009 – quando José Pavan Junior (DEM) foi cassado pela primeira vez pela justiça, até agora- a cidade trocou de prefeito o alarmante número de 14 vezes. Neste período, Pavan foi tirado e retomou o cargo em quatro oportunidades e Edson Moura Junior (MDB) ocupou a cadeira e também acabou retirado pela Justiça outras quatro vezes.

O prefeito afastado, Dixon Carvalho (PP), informou via assessoria que foi notificado da decisão da Justiça Eleitoral de Paulínia que declarou vago o cargo e afirma que acatará todas as determinações judiciais. Ele afirmou que aguardará o resultado dos recursos interpostos em órgãos superiores e que tem plena convicção “em reassumir o cargo que consegui democraticamente com o voto popular nas eleições de 2016.” Dixon disse ainda que confia nos tribunais e aguardará serenamente a decisão do TSE. “Ainda temos muito para realizar em nossa cidade e cumprir o plano de governo que projetamos e foi aprovado pela população de Paulínia”, afirmou.



A defesa de Dixon protocolou na terça-feira, no TSE, ação cautelar para permanecer no cargo até o julgamento final da ação de impugnação de mandato eletivo (AIME). A ação está com o ministro Edson Fachin, relator, e deve decidir nas próximas horas. Há duas semanas, Fachin negou cautelar semelhante ao vice, Sandro Caprino.

Na época da eleição, Dixon declarou R$ 591,5 mil de patrimônio ao TRE, mas fez cinco doações para a própria campanha que somaram R$ 681,5 mil, além da venda de um imóvel do candidato para o próprio pai. O juiz eleitoral de Paulínia Carlos Eduardo Mendes afirmou, na decisão em primeira instância, que a negociação do imóvel foi concluída após as eleições, para regularizar sua prestação de contas por meio da venda.

Caso não haja nenhuma mudança no cenário atual, Paulínia terá nova eleição em fevereiro de 2019. Período de campanha e candidatos ainda não foram anunciados.