Estudos mostram novo tratamento contra o diabetes sem aplicação de insulina

Estudos mostram novo tratamento contra o diabetes sem aplicação de insulina
Cientistas americanos já passaram a primeira das três fases dos estudos

O Diabetes tipo 1 é a versão mais intensa da doença que acomete a capacidade do pâncreas de produzir insulina, o hormônio responsável por levar a glicose para dentro das células. No organismo dos diabéticos, o hormônio é escasso. Os tratamentos atuais compensam essa deficiência com injeções diárias de insulina sintética. Um novo mecanismo, em fase inicial de testes, mostrou-se capaz de frear o diabetes em sua origem, e não apenas corrigi-lo.

O trabalho, conduzido por cientistas das universidades da Califórnia e Yale, dos Estados Unidos, já passou pela chamada fase 1, atestado de segurança da terapia avaliada. Até ser concluído, há a necessidade de outras duas etapas, nas quais serão analisadas a segurança e a eficácia em um número maior de voluntários, ao longo de pelo menos cinco anos de estudo. O que representa esperança para 37 milhões de pessoas em todo o mundo (1,3 milhão apenas no Brasil) que sofrem de diabetes tipo 1.

O pâncreas dos pacientes avaliados para o desenvolvimento da terapia pioneira permaneceu cerca de dois anos produzindo insulina. O resultado foi animador segundo o endocrinologista Freddy Goldberg Eliaschewitz, do Centro de Pesquisas Clínicas CPCIin, em São Paulo. O achado é a mais promissora notícia no combate à afecção desde os anos 1920, quando os médicos canadenses Frederick Banting e Charles Best isolaram a insulina pela primeira vez.

Os pesquisadores americanos utilizaram a imunoterapia, que faz uso do próprio sistema de defesa do organismo para atacar uma doença. Os cientistas descobriram que o organismo do diabético tipo 1 contém um número muito baixo de células T reguladoras, o que abre portas para que o sistema imunológico aja descontroladamente. No caso do diabético, dá-se um ataque às células produtoras de insulina no pâncreas, as células beta. Ou seja: com a baixa da guarda dos linfócitos T reguladores, o sistema imunológico passa a reconhecer as células beta como corpos estranhos, matando-as.

O combate a células beta é gradual. Em poucos anos, o pâncreas está totalmente falido, deflagrando, assim, o diabetes tipo 1.0 segundo passo decisivo do novo trabalho foi conseguir interferir nesse mecanismo. Os pesquisadores aumentaram a quantidade dos linfócitos T reguladores em laboratório e os aplicaram na corrente sanguínea do diabético.

Uma das maiores dificuldades em encontrar a cura do diabetes tipo 1 está no perfil das células beta. Extremamente sofisticadas e delicadas, elas possuem características de mais de um tipo de célula do corpo. Outro percalço está justamente no envolvimento do sistema imunológico, um mecanismo complexo afirma o infectologista Artur Timerman.

O uso da imunoterapia é recente na medicina. O método começou a ser utilizado sistematicamente apenas na última década. Hoje, é consagrado no tratamento do câncer, a exemplo do tumor de pele, bexiga, estômago e mamas.

A versão mais branda da doença, o diabetes tipo 2, não será beneficiada com a descoberta dos pesquisadores americanos. Ela está associada sobretudo aos maus hábitos da vida moderna, como as dietas desreguladas e calóricas e o sedentarismo. O acúmulo de tecido adiposo pode levar a um quadro de resistência à insulina, o que predispõe à doença. Não há relação com o sistema imunológico, portanto.