Consumo de refrigerantes e os problemas para a saúde; estudo aponta os principais danos

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Trocar refrigerante comum por diet não resolve nada, apenas mascara os danos ao longo dos anos

Cada vez mais, pessoas buscam um estilo de vida mais saudável, consumindo menos produtos industrializados e menos açúcar o que vai de encontro com o consumo de bebidas adoçadas artificialmente como o refrigerante e que vários estudos já indicaram que faz mal à saúde. Mesmo assim, ele é o sexto alimento mais consumido por adolescentes brasileiros de acordo com o Ministério da Saúde.



E se engana quem pensa que o problema é só o açúcar. O consumidor precisa entender que os malefícios do refrigerante estão ligados a todos os componentes de sua fórmula ou seja, não adianta só trocar a versão comum pela diet/zero ou light e achar que está tudo bem.

Alguns motivos apontados pela ciência para deixar o consumo de refrigerantes:

Pode causar hipertensão
Um estudo realizado pela Universidade Johns Hopkins (Estados Unidos) em 2010 concluiu que, se os consumidores frequentes de refrigerante tomassem uma lata a menos ao dia, poderiam diminuir a pressão sistólica em 1.8 mmHg em 18 meses. O açúcar em excesso e o sódio que costuma haver nessas bebidas parece prejudicar o tônus (estado normal de elasticidade e resistência de um órgão) das veias sanguíneas e desequilibrar os níveis de sal no organismo, causando assim alterações na pressão.

Pode deixar você viciado
O consumo de açúcar ativa o sistema de “recompensa” do cérebro, que libera neurotransmissores ligados ao bem-estar toda vez que fazemos algo como comer ou jogar um jogo, por exemplo. Daí, quanto mais ingerimos, de mais açúcar precisamos, e mais falta o sabor faz. Alguns trabalhos apontam que adolescentes obesos poderiam ter esse sistema cerebral desregulado, o que reduziria a capacidade de controlar a quantidade de bebidas açucaradas ingerida.



E não se engane pelo rótulo zero calorias dos refrigerantes diet, pois os adoçantes agem de forma até pior, enganando o sistema de recompensa e prejudicando a noção de quanta comida foi ingerida, fazendo com que você coma mais para ficar satisfeito. A Universidade Johns Hopkins acompanhou 23 mil pessoas e descobriu que quem estava acima do peso tomava mais refrigerante zero do que o restante da população e levava também à boca mais alimentos sólidos.

Fazem mal aos dentes
O consumo de refrigerantes é apontado como um dos grandes culpados pela erosão dentária, quando a camada protetora dos dentes se desgasta e abre caminho para problemas na região. Não só os açúcares, mas também os ácidos presentes na composição dos refrigerantes podem corroer o esmalte dos dentes, levando à sensibilidade e podendo ainda causar gengivite e cáries.

Trazem perigo para o fígado
Um dos perigos das doses exageradas de refrigerante açucarado é a esteatose hepática, acúmulo de gordura no fígado que pode evoluir para a cirrose. É que o açúcar ingerido será armazenado pelo fígado e, depois, liberado na corrente sanguínea em forma de ácidos graxos, que nada mais são do que células de gordura. O corpo humano absorve os ácidos graxos em vários órgãos, inclusive o próprio fígado.



Aumentam a gordura em circulação
Esses ácidos graxos citados acima vão parar em diversas regiões, inclusive os vasos sanguíneos. Tanto que o consumo excessivo de refrigerantes aumenta a quantidade de triglicérides em circulação, gordura que está ligada à formação de placas nos vasos sanguíneos que, anos mais tarde, levam a entupimentos perigosos.
Pesquisas indicam que o consumo diário destas bebidas pode aumentar em até 20% o risco para infartos.

Causa obesidade
O xarope de milho é um ingrediente comumente adicionado aos refrigerantes por conta de seu potente sabor doce e custo baixo de produção. Ele possui uma alta concentração de frutose e dulçor intenso, e é apontado no mundo inteiro como um dos responsáveis pela epidemia de obesidade, principalmente a infantil. A frutose em excesso pode ainda contribuir para processos inflamatórios e afetar a saúde dos vasos sanguíneos.

Têm elo com o câncer
A principal ligação é indireta, pois a obesidade, que costuma acompanhar o consumo frequente das bebidas açucaradas, está associada a pelo menos 13 tipos de câncer. E há também uma relação mais direta, pois uma das consequências da ingestão elevada de açúcar é um processo inflamatório constante nas células que facilitaria o desenvolvimento dos tumores. O alerta para essa relação é reforçado pelo Inca (Instituto Nacional do Câncer).